Momento

Definição


Podemos definir a “quantidade de movimento” intuitivamente como o "quanto ele quer continuar" se movendo. Esse conceito está muito ligado com a energia cinética.

É importante frisar que a quantidade de movimento (também chamada de momento) é uma grandeza abstrata, assim como energia, por isso, pode ser mais difícil de visualizá-la do que uma força, por exemplo.

Podemos calcular o momento linear de um objeto por meio da fórmula

$ Q = m v $

Com $Q$ sendo o momento, $m$ a massa do corpo e $v$ sua velocidade.

Além disso, é fácil ver que a variação do momento pode ser escrita como

$ \Delta Q = Q_f - Q_i $

E, no caso específico em que a massa é constante, temos que

$ \Delta Q = mv_f - mv_i = m(v_f - v_i) = m \Delta v $

Momento e força

Por análise dimensional, podemos deduzir que a unidade do momento é de $\text{kg} \cdot \text{m}/\text{s}$.

Essa análise é importante. Perceba a unidade do momento, e a unidade da força. Se dividirmos a unidade do momento por tempo novamente, teremos um $\text N$!

Logo, a partir disso, podemos concluir que

$ F=\dfrac{\Delta Q}{\Delta t} $

Que é a escrita original da definição de força, feita por Newton em seu livro!

A magnitude de uma força é calculada pela variação do momento no tempo.

Impulso


O impulso é uma grandeza vetorial que mede a variação do momento de algum objeto, relacionando nesse processo a força aplicada, o tempo percorrido e a quantidade de movimento.

Essa grandeza é calculada pela seguinte expressão:

$ I = F\Delta t $

Nos utilizando da análise dimensional, podemos ver que o impulso é medido em Newton-segundos: um impulso com um módulo de 1 Newton-segundo equivale a uma força de 1 newton aplicada durante 1 segundo.

Teorema do Impulso

O Teorema do Impulso relaciona o impulso com a diferença de momento de um objeto, por meio da seguinte expressão abaixo.

$ F\Delta t = \Delta Q=I $

Podemos encontrar essa expressão apenas multiplicando tambos os lados da definição de força apresentada acima por $\Delta t$.

$ F=\dfrac{\Delta Q}{\Delta t} \Rightarrow F \Delta t =\Delta Q \Rightarrow I = \Delta Q $

Colisões


Colisões acontecem quando corpos se chocam, podendo ser de três tipos: perfeitamente elásticas, parcialmente elásticas ou perfeitamente inelásticas.

Colisões perfeitamente elásticas

Nessas colisões, toda a energia cinética, $K$, do sistema é conservada, ou seja, $\Delta K = 0$.

Como toda a energia é conservada, podemos nos utilizar dessa propriedade para encontrar as velocidades de cada corpo após a colisão $(v_n)$, dadas as velocidades iniciais $(u_n)$ e suas massas $(m_n)$, pelas equações a seguir.

$ v_{1} = \dfrac{m_1-m_2}{m_1+m_2}u_1+\dfrac{2m_2}{m_1+m_2}u_2 $
$ v_2 = \dfrac{2m_1}{m_1+m_2}u_1+\dfrac{m_2-m_1}{m_1+m_2}u_2 $

Exemplo de uma colisão perfeitamente elástica entre massas iguais.

Exemplo de uma colisão perfeitamente elástica entre duas massas diferentes.

Acima: exemplos de colisões perfeitamente elásticas. GIFs retirados daqui.

Dedução das expressões

Pela conservação de momento, encontramos nossa equação $(1)$:

$ \begin{align*} m_1 u_1 + m_2 u_2 &= m_1 v_1 + m_2 v_2 \\\\ m_1 u_1 - m_1 v_1 &= m_2 v_2 - m_2 u_2 \\\\ m1 (u_1 - v_1) &= m_2(v_2 - u_2) \end{align*} $

Pela conservação de energia cinética, encontramos nossa equação $(2)$:

$ \begin{align*} \dfrac{1}{2}m_1 u_1^2 + \dfrac{1}{2} m_2 u_{2}^2 &= \dfrac{1}{2} m_1 v_{1}^2 + \dfrac{1}{2} m_2 v_{2}^2 \\\\ m_1 u_1^2 + m_2u_2^2 &= m_1v_1^2 + m_2v_2^2 \\\\ m_1u_1^2 - m_1v_1^2 &= m_2v_2^2 - m_2u_2^2 \\\\ m_1(u_1^2 - v_1^2) &= m_2(v_2^2 - u_2^2) \\\\ m_1(u_1 + v_1)(u_1 - v_1) &= m_2(v_2 + u_2)(v_2 - u_2) \end{align*} $

Dividir $(2)$ por $(1)$ nos fornece:

$ \begin{align*} \dfrac{m_1(u_1+v_1)(u_1-v_1)}{m_1(u_1-v_1)} &= \dfrac{m_2(v_2+u_2)(v_2-u_2)}{m_2(v_2-u_2)} \\\\ u_1 + v_1 &= v_2 + u_2 \\\\ u_1 - u_2 &= v_2 - v_1 \\\\ -\Delta u &= \Delta v \end{align*} $

Uma primeira informação interessante. A velocidade de aproximação é igual em módulo à velocidade de afastamento entre os dois objetos.

Podemos encontrar as fórmulas buscadas por meio da resolução de um sistema linear composto pelas equações $(1)$, oriunda da conservação do momento, e a relação de velocidade acima, que iremos chamar de $(3)$, oriunda da conservação da energia cinética.

$ \begin{cases} m_1(u_1 - v_1) = m_2(v_2 - u_2) \\\\ u_1 + v_1 = u_2 + v_2 \end{cases} $

Podemos resolver esse sistema pelo método da substituição. Escrevendo $v_1 = u_2 + v_2 - u_1$ e substituindo na equação superior, temos:

$ \begin{align*} m_1(u_1 - u_2 - v_2 + u_1) &= m_2(v_2 - u_2) \\\\ m_1(2u_1 - u_2 - v_2) &= m_2(v_2 - u_2) \\\\ 2u_1m_1 - m_1u_2 - m_1v_2 &= m_2v_2 - m_2u_2 \\\\ 2u_1m_1 &= m_2v_2 + m_1v_2 + m_1u_2 - m_2u_2 \\\\ 2u_1m_1 &= v_2(m_1 + m_2) + u_2(m_1 - m_2) \\\\ v_2(m_1 + m_2) &= 2u_1m_1 - u_2(m_1 - m_2) \\\\ v_2 &= \dfrac{2u_1m_1 - u_2(m_1-m_2)}{m_1+m_2} \\\\ v_2 &= \dfrac{2m_1}{m_1+m_2}u_1 + \dfrac{m_2-m_1}{m_1+m_2}u_2 \end{align*} $

Aplicando o método da substituição novamente, desta vez escrevendo $v_2 = u_1 + v_1 - u_2$, encontramos a expressão para $v_1$:

$ \begin{align*} m_1(u_1 - v_1) &= m_2(u_1 + v_1 - u_2 - u_2) \\\\ m_1(u_1 - v_1) &= m_2(u_1 + v_1 - 2u_2) \\\\ m_1u_1 - m_1v_1 &= m_2u_1 + m_2v_1 - 2m_2u_2 \\\\ -m_1v_1 - m_2v_1 &= -m_1u_1 + m_2u_1 - 2m_2u_2 \\\\ -v_1(m_1 + m_2) &= u_1(m_2-m_1) - 2m_2u_2 \\\\ v_1(m_1+m_2) &= 2m_2u_2 - u_1(m_2-m_1) \\\\ v_1 &= \dfrac{2m_2u_2 - u_1(m_2-m_1)}{m_1+m_2} \\\\ v_1 &= \dfrac{m_1-m_2}{m_1+m_2}u_1 + \dfrac{2m_2}{m_1+m_2}u_2 \end{align*} $

Colisões inelásticas

Nas colisões inelásticas, a energia cinética do sistema não é completamente conservada, sendo convertida em outras formas como som e calor, por exemplo.

Quando uma colisão é perfeitamente inelástica, o máximo valor possível de energia cinética é perdido, “colando” os dois corpos num só, com ambos possuindo a mesma velocidade final.

Exemplo de uma colisão perfeitamente inelástica entre duas massas iguais.

Acima: exemplo de uma colisão perfeitamente inelástica. GIF retirado daqui.

Podemos encontrar as velocidade final dos corpos por meio da expressão abaixo:

$ v = \dfrac{m_au_a + m_bu_b}{m_a+m_b} $

Para deduzir essa expressão, trabalhe com a conservação do momento (e o fato de que os corpos estão como um corpo só depois da colisão) e rearrange a expressão!

Dedução da expressão

Pela conservação de momento, podemos escrever a igualdade:

$ \begin{align*} m_1u_1 + m_2u_2 &= m_1v_1 + m_2v_2 = P \\\\ m_1u_1 + m_2u_2 - m_2v_2 &= m_1v_1 = P - m_2v_2 \\\\ v_1 = \dfrac{P - m_2v_2}{m_1} &= \dfrac{m_1u_1 + m_2u_2 - m_2v_2}{m_1} \\\\ \end{align*} $

Substituindo $v_1$ na expressão de energia final do corpo, $K_F$, obtemos:

$ \begin{align*} K_F &= \dfrac{m_1v_1^2}{2} + \dfrac{m_2v_2^2}{2} \\\\ K_F &= \dfrac{m_1\left(\dfrac{P-m_2v_2}{m_1}\right)^2}{2} + \dfrac{m_2v_2^2}{2} \\\\ K_F &= \dfrac{m_1(P - m_2v_2)^2}{2m_1^2} + \dfrac{m_2v_2^2}{2} \\\\ K_F &= \dfrac{(P-m_2v_2)^2}{2m_1} + \dfrac{m_2v_2^2}{2} \\\\ K_F &= \dfrac{P^2 - 2Pm_2v_2 + m_2^2 v_2^2}{2m_1} + \dfrac{m_2v_2^2}{2} \\\\ \end{align*} $

Com a energia cinética em função de $v_2$, podemos derivar em relação a essa variável.

$ \begin{align*} \dfrac{dK_F}{dv_2} &= \dfrac{d}{dv_2}\left(\dfrac{P^2 - 2Pm_2v_2 + m_2^2v_2^2}{2m_1}\right) + \dfrac{d}{dv_2}\left(\dfrac{m_2v_2^2}{2}\right) \\\\ &= \dfrac{1}{2m_1} \dfrac{d}{dv_2}(P^2 - 2Pm_2v_2 + m_2^2 v_2^2) + m_2v_2 \\\\ &= \dfrac{2m_2^2 v_2 - 2Pm_2}{2m_1} + m_2v_2 \\\\ &= \dfrac{2(m_2^2 v_2 - Pm_2)}{2m_1} + m_2v_2 \\\\ &= \dfrac{m_2^2v_2-Pm_2}{m_1} + \dfrac{m_2v_2}{m_1} \\\\ &= \dfrac{m_2^2v_2-Pm_2+m_1m_2v_2}{m_1} \end{align*} $

Para encontrar o valor de $v_2$ que fornece o ponto mínimo da função quadrática, igualamos a derivada a zero.

$ \begin{align*} \dfrac{m_2^2v_2-Pm_2+m_1m_2v_2}{m_1} &= 0 \\\\ m_2^2v_2-Pm_2+m_1m_2v_2 &= 0 \\\\ m_2^2v_2 + m_1m_2v_2 &= Pm_2 \\\\ v_2(m_2^2 + m_1m_2) &= Pm_2 \\\\ v_2 &= \dfrac{Pm_2}{m_2^2 + m_1m_2} \\\\ v_2 &= \dfrac{P}{m_1+m_2} \end{align*} $

O mesmo procedimento pode ser realizado substituindo $v_2$ a partir da conservação de momento na equação de energia cinética, derivando a encontrando o valor correspondente de $v_1$ para o mínimo da expressão.

Após isso, conclui-se que $v_1 = v_2 = \dfrac{P}{m_1+m_2} = \dfrac{m_1u_1 + m_2u_2}{m_1+m_2}$.

Coeficiente de restituição

Definido como sendo a razão entre as velocidades após a colisão e antes da colisão, o coeficiente de restituição ($e$) é expresso pela equação abaixo:

$ e=\dfrac{|v_1-v_2|}{|u_1 - u_2|} = \dfrac{|\Delta v|}{|\Delta u|} $

Por meio do coeficiente de restituição, é possível montar uma expressão geral que abarca todos os cenários de colisões unidimensionais:

$ v_1 = \dfrac{m_2e(u_2 - u_1) + m_1v_1 + m_2u_2}{m_1+m_2} $
$ v_2=\dfrac{m_1e(u_1-u_2)+m_1u_1+m_2u_2}{m_1 + m_2} $

Quando $e=1$, temos uma colisão perfeitamente elástica; caso $e=0$, temos uma colisão perfeitamente inelástica.