Números binomiais
Triângulo de Pascal
Antes de entendermos o que são os números binomiais, precisamos conhecer a construção do Triângulo de Pascal.

Animação ilustrando a construção do triângulo de Pascal. Domínio público, via Wikimedia Commons.
Quando contamos as linhas e as colunas dele começando a partir de zero, podemos ver que o elemento da linha $n$ e da coluna $k$ é $\binom{n}{k}$.
Assim, cada número do triângulo é chamado número binomial ou coeficiente binomial, por conta de ser gerado por essas duas “coordenadas” e de possuir uma conexão muito próxima com o Binômio de Newton, que será falado adiante.
Por meio desse triângulo podemos visualizar várias relações importantes, como a relação de Stiefel, a relação das combinações complementares, o teorema das linhas, o teorema das Colunas e, finalmente, o Teorema das Diagonais.
As relações combinatórias no Triângulo
Como dito anteriormente, o Triângulo de Pascal nos mostra várias relações combinatórias de uma maneira relativamente simples de serem vistas. Abaixo, elas estão enumeradas e explicadas.
Relação de Stiefel
Relembrando a relação, temos que:
Transportando isso para o Triângulo de Pascal, podemos ver que a soma de dois números adjacentes é igual ao número abaixo da última parcela, da esquerda para a direita.
Relação das Combinações Complementares
A relação nos fornece a equação:
Ou seja, ao transportarmos isso para o Triângulo, temos a informação que de os elementos de uma mesma linha que estão à uma mesma distância do triângulo são iguais.
Teorema das Linhas
O teorema das linhas recebe esse nome pelo fato de afirmar que a soma dos elementos de uma determinada linha $n$ do Triângulo é sempre igual a $2^n$.
Algebricamente, escrevemos:
Teorema das Colunas
Assim como o teorema das linhas, o teorema das colunas recebe seu nome por conta de sua relação com o Triângulo de Pascal, afirmando que, ao somarmos os elementos de uma coluna, começando pelo seu primeiro elemento, o resultado será o elemento que está na próxima linha e na próxima coluna em relação à última parcela da soma.
Matematicamente, escrevemos:
Ou seja, somando $\binom{n+p}{n}$ de $p=0$ até um $p\in \mathbb{N}$ qualquer, obtemos $\binom{n+p+1}{n+1}$.
Teorema das Diagonais
Seguindo o mesmo esquema de nomenclatura dos dois teoremas anteriores, o Teorema das Diagonais diz respeito à soma das diagonais do Triângulo de Pascal, que afirma que a soma dos elementos de uma determinada diagonal do Triângulo (partindo do primeiro elemento) é igual ao número binomial logo abaixo da última parcela da soma.
Algebricamente, escrevemos:
Desenvolvendo somas polinomiais
Podemos nos utilizar desses teoremas e dessas relações para resolver problemas que envolvem a soma de polinômios de uma maneira relativamente fácil.
Por exemplo, vamos resolver o seguinte problema: “Qual a soma dos $n$ primeiros quadrados?”
Esse problema se transforma na seguinte expressão:
Para resolver isso, podemos nos aproveitar de uma coisa, escrevendo $k²$ como sendo a soma do produto de inteiros consecutivos, numa forma polinomial. Assim, $k²$ se transforma em
Assim, desenvolvendo o polinômio…
Finalmente, temos que $A=1$, logo $B=-1$ e $C=0$, assim, substituindo no original:
Pronto, temos uma expressão diferente para $k²$ que podemos tirar proveito.
Substituindo no somatório:
E assim, por meio das propriedades de somatório…
Agora perceba o motivo de nos utilizarmos lá em cima dos números consecutivos: o produto de dois números consecutivos parece muito com uma combinação.
Assim, para transformar esse produto numa combinação, precisamos multiplicar e dividir por 2.
Logo, temos que:
Agora, temos a expressão completa:
Por fim, aplicando o Teorema das Colunas em cada um dos somatórios, temos, finalmente, que:
Podemos resolver as mais variadas somas se utilizando desse método.
Binômio de Newton
O Binômio de Newton é uma expressão matemática na forma $(a+b)^n$, com $a,b\in \R$ e $n \in \N$ que pode ser escrita da seguinte forma:
Que pode ser expandido assim:
Por que os coeficientes são assim?
Os coeficientes do Binômio são números no formato $\binom{n}{k}$, mas, por quê?
Primeiro, temos que saber que, obviamente, $(a+b)^n$ é a mesma coisa que o produto de $(a+b)$ com ele mesmo $n$ vezes. Assim, para obtermos $a^nb⁰$, precisamos escolher $a$ em cada produto $n$ vezes, o que nos dá $\binom{n}{0}$. Esse raciocínio é repetido para cada monômio da expressão: precisamos escolher um dos dois números $k$ vezes para formar aquele monômio em específico, o que nos acaba por gerar coeficientes no formato binomial.
Encontrando um coeficiente específico
Imaginemos o seguinte problema: Qual o coeficiente do termo $a^3b^2$ do binômio $(a+b)^{10}$?
Como podemos encontrar o número no formato $\binom{n}{k}$ que acompanha a parte literal $a^6b^4$ desse monômio que está dentro desse Binômio de Newton?
A resposta é clara: primeiro, precisamos achar uma expressão que nos dê o termo genérico da expressão, i.e que pode nos fornecer qualquer termo que está dentro do binômio.
Vamos nos lembrar da expressão do binômio:
Agora, substituindo $n=10$…
Essa expressão nos dá qualquer termo do binômio $(a+b)^{10}$.
Para respondermos a questão, precisamos notar uma coisa: comparando as informações dadas (a parte literal) e a expressão encontrada, temos que $k=6$, logo, o coeficiente será $\binom{10}{6}$, que é:
Ou seja, o coeficiente que estávamos procurando é 210! O termo resultante será $210a^6b^4$.